Lembro-me como se tivesse sido hoje: cheguei a tua casa numa caixa de papelão, embrulhado em jornais. A primeira coisa que vi foi a imensidãos dos teus olhos azuis. Adorei-te desde o primeiro dia. Recordo-me das brincadeiras incasáveis que tivemos juntos, dos passeios ao entardecer, á beira-mar, de esperar horas e horas em frente á porta aguardando a tua vinda do emprego. Gosto tanto de ti.
Queria muito não me lembrar do dia em que me levaste no teu carro, para parte incerta, parte essa em que me encontro, sem o conforto de um lar, aqui ando, ao frio, á chuva, sobrevivendo dos restos que encontro.
Tenho saudades do teu cheiro, dos teus olhos azuis que me fazem lembrar o mar. Mar... Essa água reboliça que tem um sabor tão estranho... Gostava de saber porque é que me deixaste aqui. Será porque já sou grande, velho e tenho o pelo sempre a cair?
Não sei. Só sei que sinto a tua falta, apesar de te procurar em cada canto, em cada esquina. Descobri que a água que tenho nos olhos tambem tem um sabor esquisito, parecido ao do mar.
Queira que soubesses que não te esqueci e que ainda gosto de ti!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário