domingo, 27 de janeiro de 2008

Um Herói



Quero deixar uma dedicatória especial ao meu cachorro. És um herói meu amigo de quatro patas. Não porque tenhas cometido um acto heróico fora do vulgar como salvar uma velhinha das chamas, mas porque soubeste lidar com a contrariedade que te assolou no 8º mês de vida.
Lutaste com uma bravura de fazer inveja. Hoje, olho para ti, todo recuperado e sinto orgulho; orgulho por seres tão valente e me teres deixado o exemplo de que nada está perdido, por muito grave que seja a situação. Quero que saibas que te Adoro e embora ainda estejas longe de mim, não há um único dia que passe em que não pense em ti.
Já falta muito pouco para estarmos todos juntos novamente.
Para o meu cachorro; Um exemplo de uma contrariedade vencida.
Se fossemos todos como tu...

Premontório da Morte



Hoje, morri mais um dia. Sim, morri, afinal todos temos um bilhete de ida, carimbado no 1º segundo em que nascemos. E o que é que fiz hoje? Nada.
Deixei que as horas fossem passando e passando...
Mas afinal o que é a morte?
Na minha opinião, é o encerrar do ciclo. Se falar friamente, esquecendo esse "horror", esse sentimento que é o medo de morrer, todos temos um tempo, quase como se fossemos pilhas, com a diferença da duração variar de individuo para individuo.
Assim se compreende o valor da Vida. Através da duração que muitos desconhecem (existem variáveis), iremos fabricando a nossa história, escreveremos o nosso livro, até ao fim da carga.
Penso muitas vezes como será, morrer. Terei dores? Será que vou sentir todos os meus orgãos pararem de uma forma tranquila, mas ao mesmo tempo horripilante? A verdade é que não sei, ninguém sabe quando vai, ou de que forma.
Pensar nisto é uma forma de passar tempo. Já morri mais uns minutos....
O Premontório da Morte é um mistério Universal, só podendo ser desmistificado no dia em que se atravessar para o outro lado. Se é que existe...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

E ainda falam de Portugal...?

Tenho um amigo brasileiro, que mora cá em Portugal vai fazer 7 anos. Veio para cá em busca de novas oportunidades e lá conseguiu um trabalhinho como pintor. Aqui constituiu família, solidificou laços de amizade, enfim, integrou-se.
No ano passado resolveu combinar com a esposa, uma visita ao Brasil, a fim de mostrar a terra onde nasceu, brincou... Trabalharam um ano inteiro, só a pensar em como seria bom passar dois meses nesse Paraíso tropical que é o Brasil, reencontrar-se com a família e com amigos que não viu nesses sete anos em que esteve em Portugal.
No inicio do mes de Novembro de 2007, lá foi ele todo contente comprar os bilhetes de ida e volta para a famelga (mulher e filho). Gastou perto de 3.700€. A meio do mês, combinou com a família do Brasil, o dia e a hora para os irem esperar no aeroporto de Goiás.
A partida para a aventura deu-se no dia 01 de Dezembro. E que aventura...
Chegados ao aeroporto depois de uma viagem de 14 horas, vetaram a entrada da esposa... Porquê? Porque ela é meio portuguesa, meio norte americana, tem dupla nacionalidade. Se ela fosse só Portuguesa, não haveria qualquer problema, seria feito um passaporte na hora mediante o pagamento da taxa e tava feito, mas... Ela também é norte americana... Para entrar no Brasil, necessitaria de um visto... Os guardas da alfandega, deteram a esposa do meu amigo a fim de ser deportada para Portugal. Imagine-se a algazarra, depois de tanto dinheiro investido, familiares a desesperar de saudades e etc e tal... Mas não acaba por aqui.
Esse meu amigo tentou pedir uma explicação e digo tentou, porque para alem de não lhe ter sido dada qualquer explicação, ainda ficou detido, tendo sido agredido á frente da mulher e do filho, naquilo a que muitos chamam de brutalidade policial. Enquanto estava sendo algemado, ainda teve tempo de dizer ao filho: "Tá vendo filho? É nessa merda de País que, não tão dando oportunidade de voçê conhecer, que seu pai cresceu..."
Entre lágrimas de frustração, seguiram para Portugal, nessa mesma noite.

E agora pergunto eu: E ainda falam de Portugal?

Ainda Gosto de Ti

Lembro-me como se tivesse sido hoje: cheguei a tua casa numa caixa de papelão, embrulhado em jornais. A primeira coisa que vi foi a imensidãos dos teus olhos azuis. Adorei-te desde o primeiro dia. Recordo-me das brincadeiras incasáveis que tivemos juntos, dos passeios ao entardecer, á beira-mar, de esperar horas e horas em frente á porta aguardando a tua vinda do emprego. Gosto tanto de ti.
Queria muito não me lembrar do dia em que me levaste no teu carro, para parte incerta, parte essa em que me encontro, sem o conforto de um lar, aqui ando, ao frio, á chuva, sobrevivendo dos restos que encontro.
Tenho saudades do teu cheiro, dos teus olhos azuis que me fazem lembrar o mar. Mar... Essa água reboliça que tem um sabor tão estranho... Gostava de saber porque é que me deixaste aqui. Será porque já sou grande, velho e tenho o pelo sempre a cair?
Não sei. Só sei que sinto a tua falta, apesar de te procurar em cada canto, em cada esquina. Descobri que a água que tenho nos olhos tambem tem um sabor esquisito, parecido ao do mar.
Queira que soubesses que não te esqueci e que ainda gosto de ti!

Réquiem

Lacrimosa
Lacrimosa dies illa,
Qua resurget ex favilla.
Judicandus homo reus:
Huic ergo parce, Deus.
Pie Jesu Domine,Dona eis requiem. Amen.

Traduçao: "Lacrimosa dia de lágrimas, aquele em que o homem pecador renasce de sua cinza para ser julgado.Tende, pois, piedade dele, Deus. Ó piíssimo Jesus, ó senhor, concedei- lhe o repouso eterno. Amém.